24h50

às vezes a música não consegue fazer com que deixe de me ouvir no eterno ribombar dos meus pensamentos tristes. às vezes as cerejas não me sabem bem e, às vezes, o preto faz o meu estilo. é nesse momento, entre uma vez e outra, que fico alerta, o sol magoa-me os olhos míopes e as palavras do livro ao colo diluem-se para deixarem de fazer sentido. e fico ali, sentada a ouvir o som dos pés no chão, o som da vida a angustiar-me a existência. e quero levantar-me, começar a pular, a correr nos patins (aqueles onde ainda não me equilibrei uma única vez), e ser Tom Sawyer. Queria voltar atrás, ao ponto em que sei que tudo mudou. e queria estar lá, nesse dia, àquela hora, naquele sítio e virar as costas "não vai dar, não gosto da tua cara, sabias?". e a partir daí entrar no sonho que sonho tantas vezes e fazer dele a realidade que não é, que não foi e que talvez nunca ganhe forças para ser. e se o meu sonho se confundir com a minha vida, saberei percebe-lo? no meu sonho a melhor parte de mim és tu, na minha vida não.
no meu sonho há sempre uma flor no meu cabelo e há sempre a ingenuidade de quem ama e não conhece. esta distância que em breve acontecerá .... fará ela alguma diferença? estarei a fugir? se sim, ainda bem. não tenho vergonha de o admitir.

e cá estou eu, 24h50...

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